A Realidade do Cosplayer Japonês

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Diversas vezes vejo gente reclamado dos eventos nacionais, dizendo que não valorizam o cosplay, que cosplayer deveria ter ingresso diferenciado e ser tratado de maneira especial. As pessoas assistem, por exemplo, ao desfile nas ruas do World Cosplay Summit e criam uma ilusão de que o cosplayer japonês é tratado como se fosse a rainha da Inglaterra ( ou o imperador do Japão, pra fazer mais sentido ) mas a grande verdade é que, no Japão, os cosplayers são tratados de maneira "pior" e com bem menos regalias do que na América ou na Europa (não vamos mencionar a Coreia, China e Malásia que são universos completamente únicos).

Se você sonha em ir pro Japão pra sair de cosplay na rua e fotografar simplesmente em qualquer lugar, esqueça. Fazer isso é inapropriado, desrespeitoso e vai te render olhares reprovatórios, se não uma chamada de atenção. Para fotografar em praças e outros locais públicos os cosplayers organizam eventos, onde o ingresso é pago mesmo que o local seja público.

Justamente por essa falta de autorização para fazer cosplay, muitos estúdios especializados surgem, entretanto o valor da locação é igualmente caro,  girando em torno de 200 a 300 reais os mais comuns, sem incluir o fotógrafo, obviamente. Na maioria dos eventos japoneses, cosplayers não podem circular livremente, sendo limitados a um espaço restrito.  Vamos pegar como exemplo o maior evento de todos, o Comiket, que atrai cerca de  500 mil  pessoas todo ano. Se você quisesse fazer cosplay na Comiket, pagaria um ingresso diferenciado... Um ingresso mais caro que o comum.

A pequena e aconchegante Comiket

Fazer cosplay não é um direito: é um privilégio e é melhor você estar disposto a pagar por ele. Você é obrigado a levar o cosplay para se trocar dentro do evento, nada de vir vestido de casa, vai ser barrado na porta.

Se você precisar de um armário para guardar seus pertences vai ter que pagar também. Você vai ter que seguir uma lista de regras imensa, que inclui o quão grandes podem ser as suas armas e acessórios, bem como o quão"pelada' pode ser a fantasia.

Deu vontade de fazer aquela armadura com um arranha-céu nas costas e uma espada de churrasqueiro gigante? Esquece! Não vai entrar. No Japão a aparência é mais importante que a procedência, então as pessoas não ligam se você comprar o cosplay desde que você não minta a respeito. É preferível comprar do que fazer e não ficar parecido com o personagem.

Por fim, cosplayers no Japão não são tratados de maneira especial e estão longe de ser algum tipo de orgulho nacional. Da próxima vez que for reclamar de um evento do Brasil, lembre-se: pelo menos você pode ir de cosplay-bikini e participar de todo espaço e evento sem restrições.

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